História do Cortejo Águas de Oxalá
O Cortejo Águas de Oxalá é uma celebração rica em significado e história, que se originou no final dos anos 80, quando o babalorixá Adailton de Yansã começou a promover a lavagem das escadarias do Cristo Redentor e, mais tarde, da Igreja Santa Cruz. Esse evento emblemático buscava celebrar a religiosidade de matriz africana e criar um espaço de respeito e valorização das tradições culturais afro-brasileiras. Contudo, após o falecimento de Adailton, o Cortejo ficou suspenso por um período até que, em meados dos anos 90, a comunidade tradicional de Terreiro Ylê Axé de Yansã ressurgiu com a iniciativa de retomar a festividade, sob a coordenação da Matriarca Doné Oyassiy, também conhecida como Mãe Rosa de Oyá.
Desde então, o Cortejo cresceu e se consolidou como uma das manifestações mais relevantes da cultura afro-brasileira em Araras. A celebração não só conta com a participação das comunidades locais, mas também atrai adeptos de outros municípios e estados, fortalecendo, assim, a união e a resistência cultural das religiões de matriz africana. O evento ganhou ainda mais reconhecimento quando, em 2016, por meio da Lei N° 4.946, foi oficializado como parte do calendário turístico municipal. Essa transformação foi ratificada em 2023 pela Lei Municipal N° 5.698, que reafirma a importância do Cortejo Águas de Oxalá para o município e para o estado de São Paulo.
Tradições e Significados
O Cortejo Águas de Oxalá é uma rica tapeçaria de tradições que envolve diversos elementos simbólicos e significativos. Inicialmente, a lavagem das escadarias é um dos atos mais simbólicos, representando a purificação e a renovação. Durante o cortejo, seguidores e adeptos das religiões de matriz africana, vestidos com roupas brancas, simbolizam a paz, a renovação e a harmonia. Este ato representa não apenas uma devoção sincera, mas também a manifestação de um forte desejo de respeito e aceitação, tanto para as culturas afro-brasileiras quanto para as outras tradições religiosas.

Outro elemento importante do Cortejo é a louvação aos orixás, em especial a Oxalá, que é considerado o orixá da criação e da paz. Este ritual é um momento de conexão espiritual e reafirma a importância da ancestralidade e da memória coletiva. Os participantes fazem oferendas, dançam e cantam em homenagem aos orixás, celebrando a força da cultura africana que se mantém viva no Brasil. O evento, portanto, não é apenas uma festividade religiosa, mas um grito de afirmação cultural e resistência diante de desafios como a intolerância religiosa e o racismo.
Como Participar do Cortejo
Participar do Cortejo Águas de Oxalá é uma experiência enriquecedora e aberta a todos, independentemente de sua origem ou crença. A maioria dos participantes se reúne na Praça Monsenhor Quércia (Calçadão) a partir das 8h, onde a concentração inicia-se. É importante lembrar que, embora o evento tenha raízes nas religiões de matriz africana, ele também é um espaço acolhedor para qualquer pessoa que deseje respeitar e celebrar a diversidade.
Os participantes são incentivados a vestir roupas brancas, que simbolizam unidade, paz e respeito. Além disso, trazer elementos como flores, água e produtos simbólicos para as oferendas pode enriquecer a experiência. O cortejo segue pelas ruas de Araras até a Capela Santa Cruz, criando um lindo cenário de união e celebração. Durante o trajeto, música, dança e a vivência de mensagens de amor e respeito à diversidade religiosa são os pontos altos, e a experiência de fazer parte desse evento marcante e transformador é gratificante.
Impacto Cultural na Comunidade
A realização do Cortejo Águas de Oxalá em Araras não só reflete a resistência cultural da comunidade afro-brasileira, mas também impacta positivamente a cidade de diversas formas. Um dos principais efeitos é a promoção do respeito mútuo e da valorização da diversidade religiosa. A celebração é um espaço de diálogo onde as pessoas podem aprender mais sobre as tradições afro-brasileiras e a importância da cultura negra na formação da identidade nacional.
O evento também desperta um interesse turístico significativo, atraindo visitantes de diferentes partes do Brasil e do mundo. Isso não só gera uma movimentação econômica para o município, mas também posiciona Araras como um polo cultural e turístico importante, contribuindo para o desenvolvimento local. Além disso, a participação ativa da comunidade, incluindo o fortalecimento de laços entre diferentes grupos sociais, reflete uma sociedade que se solidifica na diversidade, na inclusão e na busca por igualdade.
O Papel dos Orixás
No contexto do Cortejo Águas de Oxalá, os orixás desempenham um papel central. Esses entidades espirituais, que representam forças da natureza e aspectos da conduta humana, são venerados com grande respeito e devoção. Oxalá, especificamente, é visto como o criador, o pai de todos os orixás, e simboliza a paz e a harmonia. Durante o cortejo, são realizados rituais de louvação, nos quais os participantes fazem oferendas e recitam preces em homenagem a Oxalá e outros orixás.
Cada orixá possui suas características, elementos e símbolos que são perfeitamente respeitados e invocados. Por exemplo, Iemanjá, orixá das águas, é homenageada com flores e oferendas no rio ou mar. A diversidade de orixás e suas respectivas tradições destaca a riqueza cultural e religiosa que permeia a comunidade afro-brasileira. O respeito a esses seres espirituais e as práticas associadas a eles são uma forma de reafirmar a identidade cultural e de manter viva a memória das tradições ancestrais.
Detalhes do Percurso do Cortejo
Uma das características mais marcantes do Cortejo Águas de Oxalá é o seu percurso. A caminhada começa na Praça Monsenhor Quércia (Calçadão) e segue pelas ruas Francisco Leite e Barão de Arary até a Capela Santa Cruz. Esse trajeto tem um forte simbolismo, pois representa um caminho de fé e reflexão. Os participantes são incentivados a se envolver em cantos, danças e celebrações durante o percurso, tornando a experiência não apenas uma jornada física, mas também espiritual.
O trajeto é permeado por alusões à cultura africana, onde os participantes têm a oportunidade de vivenciar e celebrar as tradições que formam a base do Cortejo. Além disso, ao longo do caminho, grupos de percussionistas e outros músicos acompanham a festividade com ritmos vibrantes que nutrem o ânimo e a alegria durante a caminhada. As interações entre os participantes, a música e a dança criam um ambiente festivo que une todos em torno de uma causa comum: a afirmação da cultura e o respeito à diversidade.
Concentração e Programação
A concentração do Cortejo Águas de Oxalá inicia-se às 8h na Praça Monsenhor Quércia, onde os participantes se reúnem para se prepararem para a celebração. Durante esse tempo, há performances culturais, apresentações de danças e música que ajudam a criar uma atmosfera de celebração e alegria. No momento em que o Cortejo inicia, às 10h, todos se juntam em um só espírito, prontos para fazer a caminhada simbólica e festiva em direção à Capela Santa Cruz.
A programação pode incluir não apenas a louvação e a lavagem das escadarias, mas também uma série de atividades culturais e educativas, que servem para explicar e ampliar o conhecimento sobre a religião e a cultura africana. Palestras, rodas de discussão e oficinas de arte podem fazer parte desses eventos, proporcionando uma experiência completa e significativa para todos os envolvidos, além de promover uma maior compreensão entre as diferentes religiões e culturas.
Importância para o Turismo Local
A inclusão do Cortejo Águas de Oxalá no calendário turístico de Araras é um marco importante para a cidade. O evento não só enriquece a cultura local, mas também impulsiona a economia através do turismo. Com a presença de visitantes que vêm para participar da festividade, os setores de alimentação, hotelaria e entretenimento se beneficiam enormemente. Essa movimentação contribui para o fortalecimento da economia local e proporciona uma nova dinâmica para as empresas da região.
Além do impacto econômico, o evento também reforça a imagem de Araras como um destino turístico multifacetado, que valoriza a diversidade cultural e promove um entendimento intercultural. O reconhecimento do Cortejo Águas de Oxalá por organizações turísticas e culturais ajuda a posicionar a cidade como um lugar onde a diversidade é celebrada e respeitada, atraindo um público que busca experiências autênticas e significativas.
Experiência de Adeptos às Religiões de Matriz Africana
Para os adeptos das religiões de matriz africana, participar do Cortejo Águas de Oxalá é uma experiência profundamente espiritual e simbólica. Muitos descrevem a sensação de estar conectado com suas raízes e com a ancestralidade, o que proporciona uma forte sensação de pertencimento e identidade. O cortejo é frequentemente visto como uma forma de afirmação e resistência em face da intolerância religiosa e do preconceito.
A conexão com os orixás e a prática dos rituais durante o Cortejo oferecem aos praticantes a oportunidade de expressar suas crenças e valores em público, promovendo a visibilidade e o respeito pela sua cultura. Essa experiência é frequentemente acompanhada por sentimentos de alegria, esperança e renovação, onde os participantes celebram não apenas os orixás, mas também a luta histórica pela reconhecimento e respeito em um país onde as tradições africanas muitas vezes foram marginalizadas.
Celebração e Respeito à Diversidade
O Cortejo Águas de Oxalá é mais do que um evento religioso; é uma verdadeira celebração da diversidade cultural e da convivência pacífica. Ele promove um espaço onde pessoas de todas as origens e crenças podem se unir em respeito e solidariedade. O evento serve como um lembrete poderoso de que a diversidade é uma riqueza e que todos têm o direito de expressar suas crenças e tradições sem medo de perseguições ou discriminações.
Além disso, o Cortejo desempenha um papel crucial na luta contra a intolerância religiosa, ao demonstrar a beleza e a força da cultura afro-brasileira. Ao reunir pessoas em torno de um propósito comum – a promoção da paz, do respeito e da celebração da vida – o evento não apenas enriquece a comunidade de Araras, mas também inspira um movimento maior em direção à aceitação e à valorização das diferenças.